Ontem partimos bem cedo de Chennai para visitarmos Mamalipuran, onde chegámos duas horas depois. Aqui a distância mede-se em horas de viagem, tal é a má qualidade das estradas, a intensidade e a desregulação do trânsito. Um dos tesouros desta cidade é o Templo de Shore, classificado como património da humanidade, tem cerca de 1 400 anos, está inserido num terreno amplo e exclusivo duma praia do golfo de Bengala. É um templo típico desta região, em granito, coberto por variadíssimas estátuas e figuras esculpidas, com significados mitológicos que os guias nos explicam como senos fossemos especialistas em religiões e mitologias locais. Está um pouco degradado pela erosão do mar e em 2004 foi atingido fortemente pelo tsunami. Aliás toda esta costa o foi, e por aqui ele foi causador de milhares de mortos e devastação de bens. Actualmente tudo aparenta já normalidade.
As cinco Rathas foram outro ponto do nosso interesse, do qual gostámos mais pela sua beleza e dimensão esmagadora. Na verdade, trata-se de esculturas gigantescas escavadas numa única rocha, mas com um nível de pormenor e arte espantosos. Ainda vimos mais uns quantos painéis esculpidos em rochas em que esta região é fértil, almoçámos e seguimos para Pondichery. No caminho visitámos Auroreville, que é uma comunidade onde vivem 2000 pessoas de 35 nacionalidades, que têm uma filosofia muito própria, um misto de ioga e de ciência moderna, que pretensamente vivem em paz e fora das regras de qualquer país. Vimos muitos estrangeiros circulando por aqui, sendo residentes da comunidade ou voluntários que passam cá temporadas a meditar e a trabalhar. Esta comunidade está integrada na filosofia da Sri Aurobindo Ashram, a qual foi fundada em 1926 por uma senhora francesa, qua aqui morreu aos 97 anos e é agora venerada como uma das nossas “santas”. Já na ciadade visitámos a casa onde se encontra o seu túmulo e tivemos oportunidade de ver a autêntica romaria de visitantes, a maioria deles devotos. Vimos bastantes ocidentais em meditação junto ao túmulo e impressiona o respeito e o silêncio que ali reina. Obviamente que como em tudo o que é solene por aqui, tivemos que entrar descalços. Enfim começamos a estar treinados. Ainda visitámos um templo Hindu e uma igreja católica, A Igreja do Sagrado Coração. Esta é imponente, muito colorida, e ao fim da tarde quando a visitámos vários, poucos fiéis locais, percorriam a Via-Sacra, fazendo-nos lembrar que estamos na semana da Páscoa.
Pondichery é, tal como as outras cidades que já vimos, como que uma grande e pobre vila de província, sem um centro geográfico, com ruas quase sem passeios, mal iluminadas, com um trânsito desgovernado, poluente, agressivo e perigoso. Na verdade, tirando os monumentos não havia nada para ver até aqui que não seja a pobreza e a má gestão da vida pública.
Jantamos fora do hotel num restaurante de nome Rendezvous, muito destacado pelo Lonely Planet, mas que não correspondeu ao prometido. Estava bem lotado, praticamente só com turistas ocidentais, que certamente lêem o mesmo livro que nós. Já ao almoço tínhamos seguidos conselhos do livro que nos dizia que nesta costa se deve comer peixe do mar, que é pescado
À noite lá fiz mais uma tentativa de colocar imagens no blog, mas foi o que se viu. E que pena, pois se há coisa em que a Índia é fértil éem matéria prima humana e não só para se conseguirem excelentes fotos. Pois nós já temos muitas que gostaríamos de aqui mostrar aos nossos amigos. Mas por este andar não vai ser fácil. Hoje, já neste hotel, mais uma tentativa gorada: tudo é lento no que toca a PC’s e Internet.
O dia de hoje fez-se muito bem, apesar das quase seis horas de viagem. O viajarmos num grupo privativo tem destas vantagens, que hoje bem apreciámos: paramos quando queremos e pelo tempo que nos apetece, para fazermos o que estava pogramado ou algo que surja de surpresa. Primeiro parámos numa pequena cidade rural para visitar o mercado de produtos hortícolas que decorria à beira da estrada. Adorámos o colorido das frutas e dos trajes das mulheres, os cheiros das ervas aromáricas à venda e, mais que tudo, a simpatia e simplicidade de todos. Tirámos imensas fotos, lindíssimas, e comprámos um cacho de bananas enorme por 1,7 euros, que nos souberam muito bem ao longo do dia. Temos bananas até Cochim!
Parámos numa aldeia muito pequena que achámos interessante por ter muitas casas de feitas e cobertas por materiais vegetais. Mais uma vez admirámos a disponibilidade das pessoas para o nosso contacto. Pudemos ver aquilo que as estatísticas relatam sobre a pobreza, a taxa de natalidade, a insalubridade dos lares, homens com trinta anos de idade e aparência de 60, etc.. Mas vimos também que apesar de tudo há dignidade nestas pessoas, na forma como nos contactam e como nos mostram a sua casa limpa, os seus filhos bem arranjados e as tentativas de melhoria de vida com a construção de casa em cimento e tijolos. Fizemos imensas fotos que lhes íamos mostrando, o que os deliciava. No final, sem qualquer espírito caritativo no mau sentido do termo, resolvemos deixar-lhes 500 rupias para comprar algo extra para as crianças. Aceitaram e fizeram uma festa, que ainda agora deve durar.
Ainda antes de almoço, após quatro horas de viagem, visitámos um dos templos mais importantes de Tamil Nadu, em Chidambaram, dedicado a Shiva. Este é um dos locais mais sagrados da Índia do Sul e é conhecido por Templo Nataraja, data do século XIV e ocupa uma área de
Finalmente chegámos ao grande objectivo do dia: o Templo Brihadishwara, em Tanjore, que é património mundial da humanidade. Sendo muito parecido nas suas grandes linhas com os restantes que já vimos, o que o torna merecedor de destaque é a cor de areia e a ausência de pintura dos ícones das várias torres. Tem também uma muralha muito alta que protege todo o complexo do templo e uma das cúpulas foi construída com uma só peça de granito, cujo peso se estima em 80 toneladas, que se pensa que foi colocada no local através duma rampa com 4 kms de comprimento, semelhante às utilizadas nas pirâmides do Egipto. A torre onde está alojada esta cúpula tem
No final do dia visitámos o Palácio Real, que tem cerca de 500 anos, e tem uma sala de entrada muito interessante. Subimos à torre de tiro, da qual se tem uma vista geral da cidade de Tanjore.
Amanhã viajamos mais para sudoeste para completarmos esta parte cultural dos templos.