sexta-feira, 21 de março de 2008

Nas montanhas entre costas

Chegámos ao meio da viagem e estamos geograficamante nas montanhas que dividem a zona este da oeste da Índia do sul. Pela primeira vez dormimos de pijama e debaixo da roupa, ouvindo uma noite inteira de chuva muito intensa. Não admira, já que estamos num clima e numa paisagem típicamente tropical, embora esta não seja a estação das chuvas por aqui. Às queixas do tempo chuvo4so de hoje temos a reclamar pelo acesso e qualidade do hotel em que dormimos estas duas noites na região da Reserva de Periyar. A estrada de acesso está num estado lastimável e os 25 Kms que o Hotel Carmelia Haven (www.cameliahaven.com) está afastado da entrada da Reserva demoram 1 hora a percorrer. De resto, o envolvimento é fantástico, com montanhas cobertas de plantações de chá, especiarias e árvores tropicais de grande porte. Hoje de manhã fizémos uma viagem de duas horas e meia pelo lago Periyar, que está no centro da Reserva, mas devido à chuva apenas vimos bufalos e javalis. Nada de elefantes e de tigres, ficando-nos a paisagem envolvente, que, sendo interessante, não deslumbra nem justifica tanta publicidade. Enfim, talvez num dia de sol e com outro espírito vissemos as coisas doutra maneira.

A primeira parte da manhã do dia de ontem foi dedicada à visita dum grande mercado no centro da cidade de Madurai onde os camponeses vendem a fruta e os produtos hortícolas que produzem. Tivémos que ir para lá às 6 da manhã para poder ver a coisa em pleno esplendor. Se ao colorido dos produtos e dos saris das mulheres juntarmos um piso em terra todo enlameado e com água da chuva empoçada à mistura com lixo e os dejectos dos animais, poderá imaginar-se os sentimentos duns turistas ocidentais de sapatinho leve e aberto a circundar no meio duma multidão atarefada no seu negócio de compra e venda. Fizémos fotos lindíssimas, mas demorámos metade do tempo previsto na visita, tal era a vontade de voltar ao hotel para lavar os pés e destapar o nariz. Ainda assim reforçámos a ideia de que este povo é duma paciência e duma simpatia infinita : sempre reagem com agrado às nosssa propostas de fotograr, mesmo que tenham que parar por um instante o seu negócio. Depois das lavagens dos pes e do pequeno almoço no hotel não nos esquecemos que Madurai é famosa pelos tecidos de algodão e de seda ali fabricados. As senhoras fizeram a festa das compras numa só loja, que ficou por nossa conta no que tocou a saris em sedas e algodão. Se as indianas soubessem que estas portuguesas planeiam fazer coberturas para candeeiros e toalhas decorativas com os tecidos com que eles se vestem.... Claro que fui chamado para negociar o desconto, apesar do garnde letreiro « fixed price » : consegui 10% depois de muito charme sobre as quatro raparigas do estabelecimento. A tarde foi passada na viagem que nos levou a mudar do Estado de Tamil Nadu para o de Karala. E acabámos o dia já numa região montanhosa e no meio dum povo bem diferente na fisionomia e na cultura. Notámos logo um número muito maior de igrejas católicas literalmente a transbordar de fiéis, facto a que não deve ser estranho que foi na costa deste estado que os portugueses mais se estabeleceram.
Voltando a Madurai, onde chegámos anteontem à hora de almoço, dedicámos a tarde a visitar o Templo Sri Meenakshi e o Palácio Tirumalai Nayak. O primeiro é o centro mais importante de peregrinação do sul da ìndia, tendo uma média de 10 000 visitantes por dia, e sua arquitectura pesada, em granito, é requintadíssima pelo trabalhado em ríquissimos pormenores de cada pedra das paredes do tecto e dos pilares. Lamentavelmente a parte das cerimónias e das oferendas não pode ser visitada por não Hindus, mas deu para ver de longe o fervor da multidão que por ali se desloca em rituiais presididos por sacerdotes em tronco nu e vestes brancas que lhes cobrem a parte baixa do corpo. Deu ainda para ver a quantidade enorme de « caixasa de esmolas » que há espalhados por toda a parte, que mais não são do que grandes cofres em aço fechados por fortíssimos cadeados. Tivémos que fazer esta visita descalsos, deixando os sapatos fora do Templo. Tirámos os sapatos, calçámos meias que já levávamos para o efeito e avnçamos pelo meios da lama e humidade até à porta, onde nos disseram que não podíamos usar as meias. Meias para o lixo e razão teve o Pedro para não querer entrar. Mentira, porque valeu a pela beleza do que acima relatei. O Palácio tem duas salas interessantes e uma torre de tiro do cimo da qual se tem uma vista geral interessante da ciadade, destacando-se a Mesquita, o Templo Hindu e uma Igreja Católica, que nos lembram quão tolerantes são estas gentes no que diz respeito à religião.
A manhã deste mesmo dia foi passada em viagem,mas muito interessante, pois parámos imensas vezes, ora para visitarmos uma escola primária (60 alunos para uma professora), ora para visitarmos uma aldeia à borda da estrada, onde pudemos falar com as pessoas e observar como sobrevivem na sua actividade agrícola, ora para fotografarmos a actividade dos lavadores profissionais de roupa das aldeias, ora para filmar a seca de produtos da terra em meia faixa da estrada nacional em circulávamos. Esta região que atravessámos é uma zona de grande produção de arroz e de cana do açucar, caju e cocos, sendo muito mais calma em termos de trânsito e com povoados mais dispersos à medida que nos afastávamos da costa oriental.
Por hoje fico por aqui. Amanhã vamos tomar o barco casa onde peramneceremos 24 horas e por isso não teremos acesso à internete para enviar mais notícias.
Quanto a fotos vamos ver se consigo ter velocidade suficiente para as meter, mas o mais provável é que não.
Até breve.
PS: faltou-me falar do Templo mais interessante que vimos anteontem no caminho para Madurai, classificado patrimonio da humanidade, e que merece um post calmo.